passando e o maluco começou da seguinte forma novinha aqui é isso em borra os peitinho dela mano pode fi

[Música] o João José Luiz Júnior conhecido como J Júnior é carioca e rapper ele também é gari a praticamente oito anos e explodiu na internet no comecinho de 2018 quando os seus vídeos falando de temas sociais tiveram milhares de visualizações e e hoje eu vi uma cena bem escrota de se ver uma garota de 16 e 17 anos de idade passando e o maluco começou da seguinte forma novinha aqui é isso em borra os peitinho dela mano pode ficar nela não mano vocês estão achando muita cara o Jota Júnior também é como ele mesmo me disse Preto há 32 anos então sabe bem quando alguém olha para ele com desconfiança ou medo é por isso que naquele domingo

o dia 27 de Junho deste ano ele logo o saco que tava acontecendo numa corrida de Uber que levava ele EA namorada até a sua casa no Rio Comprido um bairro do Rio de Janeiro cercado de favelas Quando ela entrou a corrida era para ser cumprido normalmente o cara deu boa tarde para ela e nos problema algum quando eu entrei no carro o motorista olhou para trás assim com uma cara de é onde do Rio Comprido aí eu olhei para ele essa presa do Rio Comprido no endereço tá aí a ele O que foi fazer eu não vou levar não então já começou o problema disso que quando a gente entrou no carro ao e ela alguma aqui na branca de andando não ouvi essa pergunta não teve um problema no fato de Janeiro Comprido nada disso quando ele viu eu conto a pessoa preta entrando no carro o cara for the dread tatuagem ele automaticamente e assimilou que ela é favela a corrida a seguiu com os olhares de desconfiança do motorista indireta e sobre a passageiros que vão e Bocas de fumo em favela um jeito atravessado de sugerir que esse podia ser o caso do Jota Júnior e da namorada dele mas foi aqui que as coisas desandaram de vez em 4 minutos gente saiu da Nature esse na minha casa ali a minha namorada me quatro fosse no braço e me mostrou o telefone dele tava no painel do carro assim ao lado do volante ali é ele vendo uma transmissão ao vivo no Facebook no meu entender foi isso que eu menina que ele tava vendo a transmissão ao vivo no Facebook aí eu olhei e achei assim que ela tava me mostrando a imprudência ele tá dirigindo e era uma transmissão ao vivo no Facebook eu olhei para que ignorei a rebaixar a casa e vou te deixar com telefone jogando ela me cutucou de novo eu vou deixar não tá gravando a gente dentro do carro aí eu olhei e pensei que quem tava fazendo uma coisa no sol viu irmão automaticamente eu entendi que ele fez a transmissão ao vivo porque ele tava com algum tipo de suspeita algum medo de mim ali o Jota Júnior me contou que quando ele fez um post nas redes sociais denunciando e contando essa história à parte o sobre a Live foi o que mais chamou a atenção das pessoas mas o que deixo ele com raiva e acima de tudo com muito medo aconteceu depois que o motorista encerrou aquela transmissão ao vivo por mais que fosse irregular ele fazer isso por mais que fosse tirando Aline manda minha Privacidade com o cliente da do carro o que me ia tomar um conhecido por só que quando passou uma viatura da polícia pela gente ele botou o braço por hora de fora numa janela entreaberta que tampa completamente a visão policiais que estavam no carro passando ao lado e gritou me ajuda aqui e quando ele gritou e ele boca em parte graças à polícia que parou assim uns dez metros nossa frente e foi comprar correndo para frente da polícia e os policiais Já saiu do carro contando arma então assim é um conto um cara preto no bairro da Penha dentro de um carro no banco de trás o motorista Branco abre a um pedaço da janela Bota a mão pro lado de fora ele tá me ajuda aqui e me deu um desespero que a probabilidade daquele dar um problema na polícia sair atirando achar que é um assalto que estava acontecendo ali qualquer coisa a gente sabe como é que eu disse trabalho da polícia militar no Brasil principalmente no Rio de Janeiro no fim das contas todos eles saíram do carro e os policiais ouviram e entenderam a situação mas o desfecho não muda o fato de aqui naquele dia poderia ter acontecido o que a mãe do Jota Júnior temia desde que ele era criança quando pedia para ele não colocar as mãos no bolso e nem da mochila dentro do supermercado quando eu pedia para ele não sair na rua sem documento por quanto é que ele é transportasse uma televisão da casa dela para dele porque não encontraram a nota fiscal que em caso de batida policial você viria para provar que aquela TV não era roubada no histórico a gente tem a gente acaba sendo limitado a viver a gente vai chegar no pegar um transporte público a minha mãe sempre me incentivaram sentado lado do outro eu achar um lugar que tá vazio para poder sentar eu poder ir no mercado ela sempre me incentivou ir com uma bolsa para o mercado e tem bolsa ficar com mão no bolso então a gente é criado condicionado encher adaptar ao sistema racista agora não o sistema que se adapta a não ser racista e a gente tem que se adaptar ao sistema racista então a mãe preta periférica ela tem esse trauma minha podia ter um áudio que eu postei na minha mãe a partir disso do WhatsApp ela tá falando exatamente isso que ela conto mãe é cliente muda Coloquei até chorou ouvir o relato dela falando entendeu porque é triste a mãe tem que passar por isso e sentir essa sensação de impotência né porque ela não vai não que ela vai fazer uma e Preta hoje ainda é capaz de bater a polícia apanhar junto então é complicado demais e é o que faz algumas pessoas apertarem o passo e atravessarem a rua às pressas quando vem alguém vindo na mesma direção o que faz alguns serem parados na porta de um supermercado de lojas farmácias e passar Embu revistas vexatórias por qual motivo e quem são as pessoas presas injustamente no Brasil o que faz um policial confundir o guarda-chuva de algumas pessoas com fuzil e outras não eu sou Luciana Barreto e está começando o primeiro episódio da nova temporada do entre vozes nos próximos minutos eu te convido a se questionar O que leva a nossa sociedade a ler algumas pessoas como suspeitas [Música] essa coisa de andar com nota fiscal dos produtos é rotineira para uma grande parcela da população que já faz e não começou e nem acabou com o Jota Júnior e o caso do instrutor de Surfe Matheus Ribeiro é um exemplo disso no dia doze de Junho deste ano Matheus Ribeiro esperava a namorada em frente ao Shopping Leblon no Rio de Janeiro quando foi abordado por um casal de jovens brancos eles acusavam o Mateus até Furtado a bicicleta elétrica que ele trazia consigo desconcertado Mateus tentou provar que a bicicleta era dele mostrou fotos antigas com ela no celular e até chave do Cadeado o casal insistirá na coração e Mateus começou a filmar a cena não você tá falando que a minha acabou de ficou da Graça da igual você conseguiu você conseguiu não desculpa não se Vocês acabaram de falar e fica responde não vai ser à noite acredito nesse dia o instrutor de Surfe e não precisou provar para polícia mas sim para os dois jovens brancos de classe média que a bicicleta era que acontece que a história não acabou ali o Mateus resolveu prestar queixa por racismo mas em poucas semanas civil passando da posição de vítima para acusado tudo isso porque veja bem ele não tinha a nota fiscal da sua bicicleta as investigações apontaram que a bicicleta que o Mateus comprou em um site de vendas online havia sido roubada e mesmo que ele não soubesse disso quando comprou teve o produto apreendido pela Polícia agora ele é investigado por receptação de mercadoria roubada em um inquérito aberto pela Polícia Civil o Guilherme furniel é advogado criminalista e explicou melhor a acusação de receptação culposa que é feita no caso do Mateus a receptação ela é criminalizada em duas modalidades a dolorosa que é mais grave com pena máxima de quatro anos EA culposa mais Branda e que a pena máxima é de um ano ambas porém a conduta daquele que é o que o recebe um produto fruto de crime a diferença entre elas basicamente se dá pela consciência a respeito da origem do bem adquirido na dolorosa a pessoa tem plena ciência e Como gera fruto de um crime pode ser um roubo ou furto em Santa Maria e na culposa a pessoa não tem essa certeza mas o clima é configurado se existe uma diferença desproporcional é o que a lei diz entre o valor do bem no mercado e o preço cobrado pelo revendedor ou que outra circunstância indica que algo de errado possa ver naquela transação acontece aqui no caso do Mateus as circunstâncias da compra não necessariamente indicavam que algo estava errado infelizmente a gente sabe que é comum que jovens negros tem esse habituado ou não dá com notas fiscais o comprovante de compra junto com seus bens pessoais muito por conta do racismo estrutural realizado nossa sociedade o tecido de certa forma preocupante inaceitável nas instituições policiais mas o direito de andar com a sua bicicleta sem nenhum documento comprobatório ele é igual ao preto ao branco e esse caso do presidente do Leblon ele chamou atenção os claramente o reflexo desse racismo estrutural na origem da questão mas exclusivamente por conta dessa repercussão midiática correta foi dada Aquela falsa acusação pelo casal de funk sua filha pelo jovem o proprietário anterior da bicicleta identificou bem e levou a questão para delegacia do bairro ou seja Mateus não era obrigado a carregar a nota fiscal da bicicleta que comprou Além disso o preço do produto não era tão desse proporcional ao de outras bicicletas parecidas e vendidas na internet a ponto de afirmar que Mateus sabia da origem ilícita e mesmo assim fez a compra o advogado bom é do mestre em direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense também reforça esse argumento de que o código civil não obriga ninguém a receber e manter a nota fiscal em pó ser mas ele lembra ainda de um outro ponto importante nessa história assim como o Mateus tem um monte de gente que acesso a esse mercado informal que lembrando não é a sinônimo de ilegal não por não ter condições de pagar o preço que os produtos tem na loja e no fim das contas pouco importa para as autoridades se tinham outros produtos usados de valor semelhante ou se todas as evidências apontam para a inocência daquele sujeito importa que ele responde a uma série de requisitos que guiam essa decisão completamente subjetiva de quem condena e vocês vão perceber outros personagens sociais que estão na camada da subir vida uma colocar essa forma que acabam praticando o sub comércio mesmo tá o comércio não oficial é porque eu começo oficial na lógica da exploração cobra valores exorbitantes que hoje é um particular não precisa cobrar né ele consegue aferir um lucro razoável por essa negociação Então você tem por exemplo lá no Facebook Marketplace que ele tem uma série de celulares em processo de venda se aproveitam-se desse processo também as pessoas que praticam o crime de furto de celulares de roubo sim se aproveitam isso acontece mas isso não define a vida daquela população que precisa acessar um mercado que foi negado para eles pelo Estado tende a 1 pela sociedade Então essas pessoas começarem um celular que entendem ser lícitos né mas pode vir a qualquer momento sem quadrados na tipificação a culposa do crime de receptação que na verdade vai dizer que a pessoa deveria saber que aquele celular foi de crime né faz exigências que são totalmente abertas a subjetividade da autoridade policial que vai fazer Na verdade uma leitura do um lugar sociológico de seu personagem então não importa muito aquele personagem Sabia ou sabia é aquele celular que ele comprou o que não tinha condições de comprar um novo né numa loja tradicional é produto de crime ou não vai importar na verdade sabia onde mora aquele personagem Qual é a cor dele se ele tem passagem eu não tenho passagem passagem criminal né se ele tem emprego não tem emprego que ele tem algum histórico-social que desabone o comportamento dele para tentar encaixá-lo no processo de criminalização entende para Dina Alves advogada e doutorando em Ciências Sociais pela PUC São Paulo o que motivou essa mudança nos rumos da investigação fazendo com que o Mateus passasse de acusado para acusador E então acusado de novo é a mesma leitura racista que fez o casal Branco acusar Mateus a categoria Inocência na verdade no Brasil ela é uma categoria em SA e em termos raciais nela é sempre uma categoria realizada então o Mateus no primeiro momento ele foi culpabilizado né pelas pessoas donas a dona da bicicleta e depois ele passou a ser praticamente um relo né num processo que nem tem ainda a investigação corrida isso para diretamente ligado à construção histórica né as modernas histórica sobre o estereótipo da pessoa negra no Brasil e é o estereótipo de que a pessoa negra ela já é culpada e a categoria é na inocência ela nunca vai ser atribuída a nossas vidas e Meios ela é uma categoria realizada Principalmente quando a gente fala a partir de uma sociedade hierarquizada para o Rafa né pelo racismo estrutural [Música] Pois é essa percepção de que somos sempre suspeitos está tão enraizada que às vezes luta contra as evidências mais óbvias para as OS Bom dia até para a justiça brasileira quem nasceu com as características de suspeito não pode se tornar inocente e no fim das contas mais do que suspeito acaba como culpado e Oi jovens negros e pobres Esse é o perfil de oitenta e três por cento dos presos injustamente no Brasil entre 2012 2020 de acordo com o levantamento feito pelo condege o colégio nacional dos defensores públicos Gerais todas essas prisões aconteceram Com base no reconhecimento fotográfico um método para lá de questionável os policiais abordam e de tem pessoas porque acreditam que elas se parecem com outras que estavam no banco de imagem da polícia EA tendência na maioria dos casos como mostra o levantamento do condege é que esse suspeitos tenham a prisão preventiva decretada e passem semanas meses e até anos na prisão antes de serem julgados para o Luiz Carlos da Costa Justino violoncelista de 24 anos foram cinco dias de medo e incerteza o cara só vem dor tá ligado dor eu não conseguia sentir raiva fiquei com medo tá eu fiquei espantado com aquilo que tava acontecendo comigo porque eu até chegar no quarto o projeto falar e tocou que eles viram que era a música Eu não eu não tinha noção do que aconteceu comigo esse projeto que o Luiz fala é a orquestra Da Grota de Niterói onde ele toca com amigos e colegas desde a infância no dia três de Setembro do ano passado quando o Luís foi detido e preso ele voltava justamente de uma apresentação da Orquestra junto com outro amigo músico no meio do caminho já na comunidade onde eles moram os dois se viram no meio de uma abordagem policial da operação Niterói presente Jorge o amigo de Luiz e todas as outras pessoas foram liberadas mas ele não E como tá o junto com ele mentira o a identidade CPF de todo mundo mas sendo que pediu deles e liberou mas eu que nem que se do parado por eles ainda eles pegaram o meu e falou que no meu nome tinha um artigo no meu nome de 157 Aí eu falei não não era eu tá vindo tá acontecendo tudo mais não me deve explicação aí eu fui conduzido para delegacia e lá na Delegacia eu menti eu cheguei lá botei meu dedo tava lá minha foto um tava o artigo do lado dando que ele não deixaram nem me justificar sobre isso não deixaram nem eu ligar na verdade já me conduzido para o quartel lá que todo mundo fala aqui é pouquinho lá já vou te explicar melhor porque lá é muito sujo aí depois você puxa vida das coisas vão acontecendo no quinta-feira de manhã o projeto me mandou o advogado e aí aí o advogado que mexe com coisas assim não eu nem sabia quem não sabe sabendo que esse bingo difícil agora é esquecer o que significa excitar o artigo 157 assalto a mão armada esse assalto do qual Luiz foi acusado tinha acontecido em 2017 e a vítima reconheceu o músico como assaltante Depois que vi uma foto dele no banco de imagens da polícia para o Luiz não é muito difícil apontar como essa foto foi parar lá para mim Isso aí foi um puro de um racismo sabe o que que aconteceu Ele chegaram entrar no no sistema de Facebook ou de comunidade viro o a foto Pelo que eu entendi agora depois de tudo acabou que a gente um juízo estamos ficando lá foi que é as pessoas foi assaltada eles pegaram uma foto minha no sistema botaram lá no lá no sistema bancário lá de foto e fui apontado entendeu e que acontece que no mesmo dia desse suposto assalto o Luiz estava tocando junto com a orquestra Da Grota em uma padaria e essa foi uma das maneiras que a orquestra EA música salvaram Luiz de uma condenação injusta o vídeo da apresentação e o contrato com a padaria ajudaram a provar sua inocência mas a orquestra fez mais ainda pelo Luís quando deu repercussão nacional para o caso em um protesto amigos e colegas tocaram em frente ao presídio Tiago Teles em São Gonçalo onde ele estava preso em [Música] E por que não veio porque a gente tá fazendo aqui é pedindo desculpa pelo isso da minha outro lado esse banco hoje tá vazio porque tá esperando Luiz voltar para gente aqui tá esperando ele voltar para cá [Música] chega me arrepia foi decisivo porque aí realmente viram que eu era músico era preto favelado mas eu era a música não era um ladrão não tava é limpar a roubar ninguém há no seu coração das pessoas entendeu eu não eu não tinha esse esse caráter ele disse ser uma pessoa ruim quando o projeto for lá eles mostraram meu caráter Não fui eu que mostrei eu mostrei para as pessoas que tava de fora que você seja essa pessoa sempre viu o meu ciclo de da horta do mar na comunidade Porto o link da onde eu tocava até em Caraí teve assinatura de gente me conheciam entendeu o meu percurso lá eu tava mostrando meu tem mais culpa o estado que tá mostrando meu canal do projeto entendeu porque minha palavra Não Valeu de Nada lá então meu caráter foi feito um projeto no dia lá entre a soltura do Luiz lá em setembro de 2020 e absolvição que só aconteceu em Junho deste ano o músico viveu uma eternidade em pouco mais de nove meses de idade porque isso tava refletindo em tudo que eu faço YouTube bater na minha filha que eu tenho uma filha também de 4 anos agora fiz quatro anos ela ela tava sonhando ela falou Ela falou assim mesmo para mim porque sempre de manhã eu pergunto ela filha como é que foi o sonho que eu vou brincando com ela aí foi ela falou papai eu nem tinha perguntado ela eu deitado cheguei tomar um susto ela falou assim papai a polícia no meu olho eu comecei a gente por isso no meu olho e aquilo começou a me deixar mais em Pânico ainda então quer dizer tava refletir o meu trabalho já tinha mais concentração eu tava com medo de sair na rua então isso aí me prejudicou querendo ou não me prejudicou eu pedi até para nós ficava na época de prova do projeto da festa ao de qual faço parte hoje em dia é eu pedi para não fazer a prova porque eu não tava com senão que eu não conseguia tocar mas eu não tinha mais concentração para fazer mais nada a não ser ficar pensando naquele me remoendo naquilo e com medo de sair também na rua por causa de que o sistema eu conheci porque até o eu fui abordado numa igreja perto da minha casa depois disso ainda ele já sabia meu nome nem pedir uma identidade então eu fiquei com medo eu fiquei assim será que isso aí é bom ou é ruim eles me conhecer não então minha meta parou de mais tarde demais demais do coisa que eu falo que foi o pesadelo é uma realidade não que ele não para mim não tinha caído até hoje em dia Eu ainda sinto mas no cinto aquilo que eu realmente passei e sentindo aquele jeans além do reconhecimento fotográfico outros dispositivos e até leis contribuem para que o sistema prisional Siga sendo mais e mais alimentado com corpos negros inocentes e isso não é de hoje essa criminalização remonta a escravidão e os anos logo depois do seu fim quer um exemplo logo no pós-abolição foi criado o Código Penal de 1890 que estava recheado de artigos que discriminavam os costumes EA cultura dos povos negros as práticas das religiões afro-brasileiras foram taxados de curandeirismo e perseguidas a capoeira também entrou na roda e quem fosse pego praticando poderia ser preso pelo crime de vadiagem que também vitimava os que vagavam pelas ruas sempre os documentos não preciso nem dizer que os negros recém-libertos eram alvo fácil né hoje a capoeira eo candomblé não são mais considerados um crime pelo menos na letra da lei Mas para especialistas em Direitos Humanos a criminalização segue a todo vapor só que menos escancarada o Bruno advogado que você escutou antes explicou que até mesmo a lei da vadiagem ganhou uma nova cara e hoje responde pelo nome de prisão para averiguação um exemplo atende é a lei da vadiagem ela não existe mais hoje a vagabundagem e não é mais uma uma Leila que determina a condução para delegacia para verificação naquela identidade né daquela pessoa porém né ainda que ela não exista mais você ainda tem a tal da prisão para averiguação que não é positivado né mas ela Existe Nós nos comportamos socialmente como se ela fosse por e parar de na Alves a formulação da lei de drogas também abre brechas para essa criminalização desenfreada hoje nós podemos dizer e a lei de drogas ela é um dispositivo de racionalidade ele é um instrumento de racionalidade e é operado na sociedade é administrado pelas ele pelo Estado né pelo terminal como forma de criminalização e na verdade substitui essas legislações ainda vai enviar aguarde a gente da capoeira ela está indicada na legislação de droga porque além de além de drogas e traz aí a falsa ideia de guerra às drogas Ela atinge comunidades inteiras é o atingir as suas atividades das pessoas elas atinge as comunidades porque ela produz a figura do traficante de drogas e esta essa produção ela é a partir do corpo e o corpo visto por um eminentemente ilegal na sociedade não é novidade para ninguém que a lei de drogas é um dos principais motores do encarceramento no Brasil no final de 2019 mais de vinte por cento dos presos responderão por crimes relacionados a ela nas penitenciárias femininas a situação é ainda mais grave e os crimes de drogas correspondem a mais da metade das prisões só que esse episódio do entre vozes Não é para falar sobre desencaseramento e nem sobre punitivismo ou antipunitivismo você está se perguntando o que então a lei de drogas tem a ver com o tipo suspeito que na verdade não tem nada de culpada em termos práticos eu explico a lei de drogas está repleta de lacunas Principalmente quando traça a distinção entre usuários e traficantes ou melhor quando não traça a lei estabelece que quem vai determinar se a que e pega com uma quantidade ínfima de entorpecentes é usuária e portanto não pode ser preso em flagrante ou se é traficante e pode pegar de 5 a 15 anos é o juiz não tem critérios objetivos para isso como o tipo EA quantidade de drogas apreendidas tudo depende de um palavrão chamado discricionalidade o que na prática significa que o juiz tem liberdade para avaliar a situação caso a caso de acordo com a sua interpretação que decidir o futuro de quem está na cadeira dos réus e olha a discricionariedade não é o único dispositivo que dá peso maior a interpretação das autoridades e Menor a versão do suspeito o Bruno lembra também do peso que tem a súmula 70 e como ela dá legitimidade a voz de prisão em casos sem provas o policial ele tem fé pública porque ele é policial e aquilo que ele disser que aconteceu aconteceu ainda se você tem há provas nos autos contrário daquele posicionamento porque a valoração né da prova no processo ela é efetuada pelo juiz e importante entender que aquele juiz ele tem um lugar de origem ele tem um lugar de partida de suas reflexões e convicções que não é o mesmo lugar daquele personagem que tá repousando essa convicção não é um juiz Branco hétero de classe alta não pensa da mesma forma do que o sujeito negro pobre de classe baixa e não dizer miserável então ele prefere acreditar nas narrativas criminalizante porque para ele a realidade de que um policial entrou numa casa tem mandado né que teve Inclusive a autorização naquele acusado para entrar na sua casa e o acusada com pão hoje tava uma droga essa tese mirabolante para racionalidade mas a gente precisa compreender que a racionalidade ela é definida também todo lugar da onde a gente vem então para o juiz é razoável aceitar que e em que praticava crimes permitiu que o policial entrava entrasse na sua casa e mostrou para ele inclusive onde estavam as drogas de boa vontade isso aconteceu nessa perspectiva romântica de resolução de crimes não só uma falácia né então como a gente vê a somou a 70 que apesar dela ter na redação que essas palavras precisariam ser validadas por outras provas no processo a gente vê exatamente o contrário na prática judiciário o juizo de na verdade que sempre se inclinam né E tem pesquisa e sobre isso para uma perspectiva mirabolante da realidade daqueles personagens que estão sendo acusados e numa perspectiva aeróbica do policial de que aquela atividade dele e transcorreu com uma forma Justa e perfeita e não é isso que a gente tem verificado e as provas que são produzidas encontrar a esses são ignorados e Geralmente os processos judiciais agora se você chegou até esse ponto do episódio e ainda não tem certeza sobre qual é o perfil exato dessa uma das como suspeitas a Dina Alves resumem a só que para ela essas pessoas não são apenas suspeitas sobre o olhar do outro o tipo suspeito é na verdade o inimigo quem é de Fato né a pessoa feita padrão ou para um pouco mais além Quem são os inimigos fictícias da sociedade brasileira é a mulher preta que vende fruta em praças e centros urbanos para sobreviver são elas que são perseguidas pelas agências de controle são homens negros desce sobe o morro para trabalhar homens como o Evandro receber 80 tipos de fuzil do exército brasileiro além de aniversário domingo Essa é a figura do traficante de drogas no Brasil essa figura politicamente produzida como o inimigo difícil né porque é uma produção das elites do estado para justificar a guerra para justificar e os gastos para esta guerra e mais do que isso é o que define o genocídio do antinegritude no Brasil a gente está falando de inimigos então inimigos produzidos pela nação precisam ser combatidos E aí a gente vai um pouco além do crime né porque ele é inimigo inimigo numa guerra isso rápido então os inimigos do Estado São as crianças negras tem três crianças negras e Belford Roxo estão desaparecidas não se sabe onde está em um caso ele não fumou a repetição de vida como foi para outros casos de crianças foram brutalmente assassinados então é essa é a figura do Inimigo do Estado brasileiro é o Miguel filho da missa com essas crianças com as mulheres negras cada vez mais elas engrossam as filas do sistema prisional são presos e perseguidos e vigiados como perigosas de drogas no Brasil são a juventude a juventude Negra cada vez mais de vítima do e a população indígena então isso isso está enraizado no sistema de Justiça todo e na sociedade brasileira porque passa também pela mídia passa por todas as as esferas aí da sociedade é com a sociedade sair apesar de neco raça classe gênero [Música] inimigo em uma guerra se mata afirmação tem respaldo em um bocado de pesquisa sobre a letalidade e violência policial como um estudo publicado no ano passado pelo grupo de estudos sobre violência e administração de conflitos da Universidade Federal de São Carlos o levantamento mostrou que no estado de Minas Gerais uma pessoa negra tem entre quatro e cinco vezes mais chances de ser morta pela polícia militar que uma pessoa branca em São Paulo a letalidade é de três a sete vezes maior quem perdeu um familiar Ou é desse jeito sabe que não é exagero dizer que as balas de policiais perdidas ou não encontram com mais facilidade corpos negros em suma a mãe nega off creme o filho sozinha sem a ajuda do pai que me abandonou meu filho de 18 meses de idade e daí pra frente foi eu meu filho minha mãe meu pai que ainda era Vivo me ajudando a criar ele é muito difícil para mim ver assim um filho que eu criei com tanto amor com tanto carinho uma criança que era minha que Deus me deu e um policial corrupto meu policial sem caráter tentar manchar o nome do meu filho Douglas Pessanha e Silva Filho da Ana Cláudia Peçanha morreu em janeiro do ano passado aos 28 anos e ainda não tem muitas vezes postas e nem soluções para o caso dele as versões sobre o que aconteceu naquele fim de tarde variam e a polícia militar do Rio de Janeiro diz que Douglas participou do roubo de um carro fugiu de moto e depois foi contido por pessoas na rua que chamaram a polícia de acordo com os relatos da PM Douglas reagiu a prisão e tentou desarmar os policiais e acabou baleado Só que essa versão deixa de Fora o fato de que Douglas era surdo tinha paralisia cerebral e segunda mãe não sabia nem andar de bicicleta ele mal saía sozinho na rua é certo por aquela tarde em que fugiu enquanto Ana Cláudia lavava roupas no fundo de casa desde então a mãe de Douglas se juntou a tantas e tantas outras que buscam resposta sozinhas para morte de seus filhos e pedem justiça E ai porque nossas mas não tem mãe [Aplausos] mas mãe não tem mais o que perder não que a gente medo que a gente tinha era de perder nossos filhos acho que nós perdemos nossos filhos mas o nosso foco a gente coloca em cima do nosso exército porque eles que está acontecendo aqui aqui são reuniões do nosso exército aqui para a gente se fortalecer nessa luta porque o estado não deixa a gente dormir então a gente não podemos deixar o saco também de mim para especialistas em Direitos Humanos como a Dina e o Bruno Cândido reverter essa violência essa criminalização de Corpos negros EA leitura de suspeitos que você faz cotidianamente eu sobre eles pede revisões duras nas nossas leis e na forma como as instituições operam acho que a primeira coisa que precisa ficar evidenciada que a gente precisa de alternância de poder nos Espaços que definem o que é crime né o legislativo nos e aplicou a condenação como judiciário e os espaços que definem o que é atividade Segurança Pública como executivo então a uma necessidade de alternância de poder porque não se faz política para todos com apenas um definir o que a política Então a gente tem uma primeira problemática nesse sentido né e a uma necessidade de Segurança Pública cidadã Segurança Pública plural Segurança Pública que trabalha de acordo com as realidades e identitárias que compõem a nossa sociedade mas se não seria impossível um possível construir de fato uma segurança pública justa se ela não considera outra as perspectivas de justiça e aí falar de perspectiva de Justiça seria também uma necessidade filosófica de mudar o que é ética e moral nas cadeiras que formam os juízes de hoje né Para Além de mudar também Quem são os juízes de hoje nós precisamos de Juízes que são de Ipanema sim precisamos de esqueçam de Ipanema nós precisamos muito mais de Juízes que são da Baixada Fluminense a educação dos morros da Zona Sul que juízes que são no interior do Rio de Janeiro não pode precisamos construir narrativas mais plurais do que de que justiça a partir de ética e moral precisa de outras compreensões e outras narrativas para que de fato ela tenha aquilo que é justo para que o justo seja alcançado e esse é um processo longo que a gente precisa construir a partir de políticas públicas de acesso a partir de políticas públicas de educação social enquanto toda essa estrutura Não é reformulada o Bruno me explicou que precisamos de mudanças práticas para reduzir os danos da realidade que se impõe hoje eu acho que a gente já poderia fazer mecanismos que regulem as atividades de forma explícita e conhecida da abordagem policial Quais são os parâmetros para o seu acontecimento Onde está regulado existe o Sistema Nacional primeiro ponto na segundo ponto e mecanismos que permitam a fiscalização imediata da atividade policial câmeras do uniforme com GPS no uniforme câmeras na viatura GPS na viatura que apesar que tinha já essa disposição por exemplo no Rio de Janeiro o valor destinado né para a segurança pública não atingir a manutenção desses equipamentos porque não há interesse político na manutenção desses equipamentos não é o que se tem de interesse político é na verdade na lógica da política do Medo na política era a sensação detrimento do sentimento colete é aquela política que vai dizer tá tendo muito carinho e no Leblon vamos aqui em investir no na compra de mais armamento porque a mais armas que vai definir a segurança Não não são mais armas que define a segurança territorial a gente tem vasta as pesquisas de eras a questão Luiz então a alma necessidade e já colocando como ponto 3 que existe uma legislação específica para reserva no orçamento e aplicação obrigatória pelos governantes na especial o governador para manutenção dos equipamentos de fiscalização da atividade policial como alguém que já esteve neste lugar fabricado de trigo o suspeito ou pior de inimigo da sociedade o músico Luiz Justino aposta na educação e na arte como defesa incentivar outros jovens a fazerem o mesmo eu quero Cola diretamente para os jovens assim da minha idade o negro favelado procura o projeto social e tenta começar a fazer a faculdade tem a cabeça Nisso porque isso querendo ou não pode ser a sua defesa pode ser a sua defesa além de você ser uma pessoa melhor para sempre para você e para o mundo é a sua defesa o bom é essa é meu recado Tá tudo entendeu a daqui a alguns meses pode ser que você se depare mais uma vez com a voz do Luiz pelos agregadores e tocadores de Podcast eu tô com um projeto que eu vou fazer um podcast sobre relatando o coisas que acontece com pessoas parecida comigo entendeu aí eu vou começar a divulgar ainda não comecei também não comecei a fazer faz um do meu sonho é fazer para me ajudar os outros e administra a e esse foi o primeiro episódio da segunda temporada do entre vozes eu me encontro com vocês na próxima semana até lá e e com apresentação de Luciana Barreto este podcast foi produzido pela maremoto para a CNN Brasil falta e apresentação Luciana Barreto pesquisa e roteiro Thaís e Leo produção Danilo Santana sonoras e personagens Thaís e Léo e Danilo Santana edição e sonorização Murilo Lourenço Coordenação Geral Paula weiberg coordenação de produto Verônica Schneider coordenação editorial Diego Toledo direção de jornalismo digital Daniel Tozzi você também pode ouvir entre vozes no site da CNN Brasil e aproveite para conhecer os nossos outros programas em áudio acesse CNN Brasil. Com.br/podcast e [Música]