O Parque Nacional Karoo

A cadeia de montanhas de Swartberg se estende por mais de 200 km, de leste a oeste, formando um marco divisor entre as regiões desérticas do Grande e do Pequeno Karoo. Ela faz parte do conjunto de montanhas de Cape Fold. Os espetaculares paredões de arenito sobreposto em camadas – em tons de vermelho, amarelo e ocre, intercalados por liquens esverdeados – erguem-se a aproximadamente 1.500m de altura.

Os mais acessíveis ficam em Meringspoort. Mais a oeste, fica a Seven Weeks Poort, uma área com formações rochosas ainda mais impressionantes, que podem ser percorridas por uma primitiva estradinha de cascalho. Perto do extremo leste da cadeia de montanhas, na região de Toorwaterpoort, há um caminho que leva à estrada de ferro, usado outrora para transportar penas de avestruz das fazendas do Pequeno Karoo até o litoral.

A região é chamada de “águas mágicas” na língua local por causa das fontes termais existentes nas proximidades. Na penumbra, o vapor que se formava sobre a superfície da água sugeria aos nativos a existência de fantasmas. Hoje em dia existe apenas uma estrada para veículos pelas montanhas – a passagem de Swartberg – que ainda permanece uma estradinha de cascalho, com poucas alterações.

Gamkasloof

No centro das montanhas Swartberg, no Cabo Ocidental, fica um vale com 20km de extensão, habitado sucessivamente por povos das etnias Khoisan, Khoikhoi e por fazendeiros africâneres, mas que só foi servido por estradas em 1962. Oficialmente conhecido como Gamkaskloof, o lugar é chamado de “O Inferno”, por causa de uma frase de um antigo inspetor de rebanhos que dizia que era “um inferno entrar e sair desse lugar”.

Gamka, palavra da língua Khoi que significa “leão”, é também o nome do rio que atravessa as montanhas com 1.700m de altura e que dá vida ao vale. Pinturas rupestres do tempo em que a área era habitada pêlos Khoisan bem como instrumentos abandonados por nativos durante a Idade da Pedra e fragmentos de vasos de barro dos Khoikhoi podem ser encontrados no vale.

No começo do século XIX, fazendeiros holandeses se estabeleceram ali. Durante a Guerra dos Bôeres, um grupo de bôeres que fugia dos ingleses alcançou as montanhas e se deparou com uma comunidade isolada, que falava uma forma arcaica de holandês. Infelizmente, a estrada cheia de curvas que corre a 50km acima da passagem de Swartberg se mostrou fatal para esse estilo de vida.